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   Quem é o Antinomiano?

A palavra antinomiano significa contra a lei ( anti + nomos). O termo é frequentemente usado de forma pejorativa para designar crentes que sustentam uma compreensã odispensacionalista e da Livre Graça das Escrituras. A controvérsia gira em torno do significado da lei, suarelaçãocom a vida cristã, a relação entre justificação e santificação, e a base da segurança da salvação.

A acusação

Os críticos acusam a visão da Livre Graça da justificação somente pela graça mediante somente a fé de separar a justificação da santificação, tornando a santidade opcional e a segurança da salvação desvinculada de uma vida transformada. Ela permite a existência de crentes carnais professos que não são realmente salvos e incentiva a libertinagem. Os acusadores acreditam que a justificação coloca o cristão sob o domínio da lei e não pode ser separada da santificação, que é a base da segurança. Ironicamente, muitos dos que fazem essa acusação reconhecem que os próprios mestres da Livre Graça geralmente vivem vidas piedosas e incentivam a santidade nos outros.

A Lei é para os cristãos hoje?

Uma questão central é se a Lei Mosaica continua obrigatória para os cristãos. Os críticos geralmente dividem a Lei em categorias moral, cerimonial e civil, alegando que apenas a lei moral continua. Entretanto, as Escrituras tratam consistentemente a Lei como um todo unificado (Gl. 3:10; 5:3; Tg. 2:10). A Lei Mosaica foi dada a Israel (Rm. 5:9:4; Jo. 15:25; 18:31), não a todos (Rm. 2:14). Alguns afirmam que Efésios 6:1-4 é um exemplo da Lei de Moisés governando hoje, mas o contexto de 5:18–6:9 trata da atuação do Espírito Santo em vários relacionamentos. Além disso, nenhuma terra é prometida aos não judeus. Se os cristãos permanecem sob a lei moral mosaica, a coerência exigiria aceitar também suas penalidades, como a morte (Mt. 15:3-4; Jo. 8:3-5). Além disso, muitas referências do Novo Testamento à “lei” não se referem à Lei de Moisés (como em Mt. 22:36-40; Rm. 7:7-14), mas à vontade de Deus de forma mais ampla (Rm. 2:14; 7:22; 1 Jo. 3:4; Tg. 1:25). (Para uma discussão mais completa, veja GraceNotes nº 84, “O Cristão e a Lei”.)

Uma defesa contra a acusação de antinomianismo

  1. Justificação e santificaçãosão distintas. A justificação é a base da santificação, mas as duasnãodevem ser confundidas, ou o evangelho é pervertido por obras. Ninguém pode ser santificado semprimeiro ser justificado (Rm. 5:9–11). Embora os crentes justificados devamcrescer espiritualmente, o grau de santificação varia e não pode servir como um teste infalível de salvação.
  2. Cristo cumpriu a Lei Mosaica. Jesus satisfez plenamente as exigências da Lei (Mt. 5:17). Os crentesagoravivemsob a Lei de Cristo nestadispensação da graça (Jo. 1:17; Gl. 6:2). A Lei Mosaica cumpriuseu propósito ao revelar o pecado e conduzir as pessoas a Cristo (Gl. 3:24). Embora seus princípios morais continuem instrutivos, a própria Lei Mosaica não é mais a regra de vida do crente.
  3. A regra de vida do crente é a Lei de Cristo. Os crentes não estão sob a Lei Mosaica, mas morreram para sua autoridade governante (Rm. 7:10). Eles reconhecem que a Lei cumpriu seus propósitos pretendidos (Rm. 3:31; 7:12). Por meio do Espírito Santo, seguem a Lei de Cristo resumida pelo amor, que abrange e cumpre os princípios morais da Lei de Moisés (Rm. 13:8-10; Gl. 5:14). À medida que os crentes andam no Espírito, cumprem naturalmente os princípios justos incorporados na Lei (Gl. 5:22-23). O apóstolo Paulo argumenta que, visto que as obras da Lei são ineficazes para a justificação (Gl. 2:16), os crentes não devem voltar a elas para a santificação (Gl. 3:1). Os crentes são santificados pela “lei do Espírito da vida em Cristo Jesus” (Rm. 8:2).
  4. O apóstolo Paulo distinguiu a Lei de Moisés da Lei de Cristo. Ele não se considerava sob a Lei Mosaica, mas “sob a lei para com Cristo” (1 Co. 9:19-21), resumida no mandamento de Jesus de amar uns aos outros (Jo. 13:34).
  5. 5. Os crentes hoje estão sob a graça, não sob a lei. Paulo declara claramente: “não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm. 6:14). A graça é recebida pela fé e não pode ser misturada com qualquer lei (Rm. 4:4-5, 14; 5:2; 11:6). Sob a graça, a santificação vem por meio do ministério do Espírito Santo, e não pela adesão ao código mosaico (Rm. 7:6; 8:2-4; Gl. 5:5-6, 16, 22-25).
  6. 6. A obediência é uma resposta de gratidão. Os crentes obedecem aos mandamentos (leis) do Novo Testamento não para serem salvos, permanecerem salvos ou provarem que são salvos, mas para expressar gratidão a Deus e seu desejo de agradá-Lo. Uma resposta predeterminada ou garantida seria sem significado. Alguns crentes podem abusar da liberdade que a graça traz, levando à realidade de cristãos carnais (1 Co. 3:1-5).
  7. A graça motiva uma vida piedosa. A graça não incentiva o pecado. Paulo rejeitou vigorosamente essa acusação em Romanos 6. A graça ensina os crentes a viverem vidas piedosas (Tt. 2:11-12), enquanto o futuro Tribunal de Cristo fornece um poderoso incentivo para uma vida fiel (Rm. 14:10; 2 Co. 5:10).
  8. Aqueles que estãosob a leidevemguardá-la por completo. As Escrituras ensinam que aqueles que se colocam sob a lei são obrigados a cumpri-la integralmente (Gl. 3:10; 5:3; Tg. 2:10). Como isso é impossível, a dependência da lei resulta na maldição da escravidão e no afastamento de Cristo (Gl. 3:10; 4:21–5:4).

Quem é o verdadeiro antinomiano?

Algumas formas da teologia reformada ensinam que a fé salvadora inclui a obediência que inevitavelmente produz perseverança e boas obras. Se a santificação é garantida pela justificação, alguém pode perguntar qual papel prático a lei desempenha na vida cristã. Na teologia reformada da aliança, a obediência torna-se um resultado presumido em vez de uma escolha significativa, o que aparentemente argumenta contra a observância intencional da lei. Esse sistema também pode criar incerteza quando a segurança é vinculada principalmente às obras em vez da promessa de Cristo.

Conclusão

A acusação de antinomianismo compreende mal a posição da Livre Graça. A teologia da Livre Graça não rejeita a autoridade de Deus, a santidade ou o chamado à obediência. Ela rejeita a Lei Mosaica como regra de vida do cristão e afirma que os crentes vivem sob a Lei de Cristo pelo poder do Espírito Santo. A graça é realmente arriscada porque a liberdade pode ser abusada. Ainda assim, o Novo Testamento apresenta a graça — e não a lei — como o meio de Deus para produzir crescimento espiritual. A possibilidade de abuso não invalida a graça mais do que a possibilidade de hipocrisia invalida a obediência. A motivação do crente não é o medo de perder a salvação nem a necessidade de provar a salvação, mas a gratidão pelo dom incondicional de Deus e o desejo de agradar Àquele que o concedeu.


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