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   O Julgamento das Ovelhas e dos Bodes — Mateus 25:31-46

31 “Quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória. 32 Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos bodes. 33 E colocará as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a fundação do mundo: 35 porque tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; era estrangeiro, e vocês me acolheram; 36 estava nu, e vocês me vestiram; estive doente, e vocês me visitaram; estive preso, e vocês foram me visitar.’” (Mt 25:31-36)

Neste ensino de Jesus sobre os últimos tempos, vemos as nações gentílicas (ethnē) divididas entre ovelhas e bodes. As primeiras entrarão no Reino com vida eterna, enquanto os últimos serão punidos eternamente. O que determina o destino de cada grupo?

Uma revisão do contexto

As quatro parábolas de Mateus 24–25 podem ser entendidas em ordem cronológica. Depois dessas parábolas, Jesus encerra sua mensagem escatológica com uma palavra sobre o julgamento das nações gentílicas, que reflete os acontecimentos que Ele ensinou em Mateus 24:5-31. Nessa seção, Jesus falou sobre uma grande perseguição dos judeus pelo Anticristo. Embora alguns judeus e gentios morram na perseguição do Anticristo, aqueles que perseverarem até o fim da Tribulação serão salvos, ou finalmente libertos de seus inimigos (Mt 24:13). A sequência das parábolas nos capítulos 24–25 indica que o Tribunal de Cristo e a concessão de recompensas do Reino acontecem no início ou durante o período da Tribulação. O julgamento das ovelhas e dos bodes ocorre no final da Tribulação. Esse julgamento não deve ser confundido com o julgamento do Grande Trono Branco, que é somente para os incrédulos (Ap 20:11-15).

Perspectivas inadequadas

Muitos entendem isso como um julgamento que Jesus está realizando ao separar as ovelhas dos bodes. Eles entendem que Ele está julgando a salvação ou a condenação das nações gentílicas com base no fato de terem ajudado ou não os judeus (referidos como “meus irmãos” em 24:40) durante a Tribulação. Essa é uma interpretação teologicamente fraca, visto que as obras se tornam a base da salvação e a ausência de obras se torna a base da condenação. A salvação pela graça exclui a salvação pelas obras (Ef 2:8-9).

Alguns modificariam a perspectiva anterior afirmando que as obras não são diretamente a condição para os julgamentos, mas são evidências de que as nações eram ou não verdadeiramente crentes. As nações que ajudaram os judeus perseguidos durante a Tribulação demonstram evidência de sua salvação; as nações que não ajudaram demonstram a ausência de salvação. Mas essa perspectiva não elimina a necessidade das obras para o julgamento da salvação de alguém, porque elas são o único critério que distingue as ovelhas dos bodes.

Uma perspectiva melhor

Antes de mencionar esse julgamento, Jesus havia ensinado que alguns judeus e gentios sobreviveriam à Tribulação e seriam libertos de seus inimigos (Mt 24:13, 22; veja GraceNotes nº 61, “A Salvação Daqueles que Perseveram até o Fim em Mateus 24:13”). Jesus está reconhecendo a ajuda que as nações gentílicas salvas ofereceram aos judeus perseguidos que perseveraram durante a Tribulação e chegaram ao fim dela. A menção de suas boas obras pode implicar recompensas, enquanto eles recebem como herança um Reino especialmente preparado para eles (v. 34) e entram “na vida eterna” (v. 46). O contraste com os bodes, que vão para o “castigo eterno” (v. 46), fala de condições eternas, não simplesmente de uma residência final.

É melhor compreender três julgamentos nessa passagem. No momento em que Jesus separa as ovelhas dos bodes, sua condição de ovelhas ou bodes já havia sido determinada antes de suas obras serem mencionadas. A única base para distinguir os crentes (ovelhas) dos incrédulos (bodes) deve ser a fé ou a incredulidade em Jesus Cristo como Salvador. Embora isso não seja mencionado explicitamente, o ensino geral das Escrituras mostra que a fé salvadora, ou a ausência dela, determina o destino eterno de uma pessoa. Esse é o primeiro julgamento.

Por que, então, as obras das nações são mencionadas? Embora as obras não determinem a condição das nações como ovelhas ou bodes, as obras determinam suas consequências na eternidade. O segundo julgamento é para as ovelhas, as nações crentes, que desfrutarão de recompensas especiais. Jesus as chama de “benditas de meu Pai” e as convida a “herdar o Reino” (v. 34), ou seja, desfrutar da participação no governo de Cristo sobre o Reino, um tema presente em uma parábola anterior (24:21, 23; veja também Lc 22:27-30; Rm 8:17; 2Tm 2:10-13). O termo “vida eterna”, usado no versículo 46, deve ser entendido em termos de qualidade de vida, e não apenas de duração de tempo (veja Gl 6:7-8; 1Tm 6:17-19).

O terceiro julgamento é para os bodes, as nações incrédulas. A consequência para elas enfatiza sua experiência, e não sua localização. Elas experimentarão “fogo eterno” (v. 41) e “castigo eterno” (v. 46). Embora não seja mencionado pelo nome, sabemos que o lago de fogo é a habitação final de todos os incrédulos (Ap 20:14-15). Entretanto, a menção de “castigo” implica mais do que uma habitação final. Implica retribuição divina ou graus de punição determinados pela conduta anterior, como ocorre no julgamento do Grande Trono Branco que acontecerá posteriormente (Ap 20:12-13; veja também Mt 23:14/Mc 12:38-40/Lc 20:46-47).

Essa terceira interpretação do julgamento das ovelhas e dos bodes impede que as obras determinem quem é salvo (ovelhas) ou não salvo (bodes). Jesus não distingue diferentes graus de fidelidade ou diferentes graus de maldade, porque está descrevendo aquilo que caracteriza cada grupo de maneira geral. Diferentes graus de fidelidade estão relacionados mais especificamente ao Tribunal de Cristo, conforme inferido em uma parábola anterior (Mt 25:20-23).

Conclusão

É importante entender que a identificação das nações como ovelhas ou bodes (o primeiro julgamento) já foi determinada quando chegamos aos dois julgamentos finais. Nesses julgamentos, Jesus não está decidindo a salvação delas, mas separando as nações para seus respectivos destinos, com a indicação de recompensas para as nações crentes e punições para as nações incrédulas. Suas obras, boas ou más, não determinam sua salvação, mas determinam a qualidade de sua experiência eterna. A salvação é sempre baseada no dom gratuito de Deus, recebido por meio da fé em Cristo. A qualidade da nossa vida na eternidade é determinada, em parte, pela maneira como tratamos aqueles que estão necessitados.


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